País precisa de 250 toneladas de sal iodizado
Arrancou ontem, na cidade de Moçâmedes, província do Namibe, o segundo Fórum do sector salineiro, que discute a importância do produto no processo de diversificação económica.
Aministra das Pescas, Vitória de Barros Neto, disse ontem, na província do Namibe, durante a abertura do II Fórum do Sector Salineiro, que o sal pode jogar um papel fundamental na diversificação da economia. No entanto, disse existir maior necessidade de consumo. “Considerando que a população angolana é estimada em mais de 24 milhões de habitantes, serão necessárias, nos próximos anos, cerca de 250 mil toneladas de sal iodizado, prevendo-se que 200 mil toneladas sejam para o consumo humano, animal e industrial, e 50 mil para a exportação”, avançou, a ministra.
A ministra das Pescas lembrou que o país possui uma costa com 1.660 quilómetros. Por isso, tem potencialidades para o desenvolvimento de uma indústria de produção de sal marinho, tendo em conta as condições climáticas favoráveis verificadas ao longo de todo ano em todas as províncias do litoral, com destaque para o Namibe e Benguela. “Podemos atingir a médio prazo a auto-suficiência na produção e abastecimento de sal no mercado nacional, reduzindo de forma considerável a importação do sal, complemento alimentar que faz parte da cesta básica”, realçou Vitória de Barros Neto.
No Fórum, cujo lema é “Sector Salineiro, uma aposta para a diversificação da economia angolana”, Vitória de Barros Neto sublinhou a utilidade do produto, chamando assim a atenção do papel que pode exercer na economia. “Para além do consumo humano, o sal é importante na pecuária, na indústria transformadora de alimentos, indústria de produção de peixe seco, indústria petrolífera, indústria de cosméticos e não só”, realçou. Vitória de Barros Neto disse ainda que o Executivo está a apoiar os empresários do sector, no sentido de potenciá- los e assim aumentar a produção deste produto indispensável na dieta alimentar das famílias.
“ Face à carência de sal nacional que se verifica, o Executivo angolano concebeu um programa de reabilitação e ampliação das unidades produtoras de sal, com particular destaque para as salinas de Benguela e do Namibe”, referiu. A ministra sublinhou que o objectivo é aumentar a produção e a qualidade, de forma a fornecer sal higienizado e iodizadas às populações, conforme recomendações das organizações internacionais, nomeadamente, a UNICEF e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Neste sentido, referiu a ministra, foi possível atingir-se, em 2015, uma produção nacional de cerca de 42 mil toneladas de sal, cifra que corresponde a 42% da meta preconizada no Plano Nacional de Desenvolvimento 2013/2017.
“Temos certeza que para 2016 a produção poderá ser muito superior, tendo em atenção os investimentos realizados por algumas empresas, sobretudo na província de Benguela, o que permitiu a expansão considerável das áreas de produção com a introdução de tecnologia modernas”, frisou. A ministra acrescentou que os avanços permitiram uma transição de uma produção artesanal para a industrial deste produto. Nesta senda, Vitória de Barros Neto espera por mais investimentos. “Espero que a província do Namibe siga o mesmo caminho, uma vez que até já teve a maior salina de Angola no tempo colonial, a Salina Rocha Magalhães, hoje designada Angossal, com perspectivas de expansão para mais de 600 hectares”, avançou.
Fonte: OPAÍS

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