Augusto Tomás aguarda autorização do Tribunal para levantar 20 milhões/mês
O ex-ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás,
está a aguardar há seis meses que os juízes da 1ª Secção da Sala do Cível e
Administrativo do Tribunal Provincial de Luanda atendam ao seu pedido de
autorização para que possa levantar mensalmente 20 milhões de Kwanzas das suas
contas bancárias para sustentar a sua família, segundo apurou OPAÍS. Os seus
advogados apresentaram a providência cautelar não especificada contra a decisão
do Estado, representado pela Procuradoria Geral da República (PGR), de congelar
todas as suas contas bancárias e das empresas de que é sócio antes do arranque
do julgamento que corre os seus trâmites legais na secção de Crimes Comuns do
Tribunal Supremo.
Augusto Tomás necessita desse montante para assegurar
que, com excepção do afecto paternal, nada falte aos seus 11 filhos menores de
idade (no total tem 14 filhos), aos seus pais, à sua madrasta e aos três
sobrinhos (filho de um irmão já falecido) e a um neto que dependem de si. Uma
vez que, desde que foi privado preventivamente da liberdade, a 20 de Setembro
do ano passado, deixou de receber os salários da Assembleia Nacional, na
qualidade de deputado eleito nas eleições de 2017, e não tem quaisquer recursos
para sustentá-los.
A
penúria originada por esta situação, segundo a petição que deu entrada ao
tribunal, expandiu- se também às famílias dos funcionários das empresas de que
é sócio, por estarem privados de receberem os salários desde Novembro último.
Razão por que solicitou que seja permitido que as empresas de que é sócio
possam desenvolver normalmente as suas actividades, pagando os salários dos
funcionários. Para justificar como foi que conseguiu juntar a fortuna que lhe
possibilita suportar despesas dessa envergadura, Augusto Tomás, economista de
profissão, diz que começou a trabalhar aos 18 anos de idade.
Tudo
começou em 1992, ao arrendar o apartamento em que vivia desde a década de 1980,
localizado no Largo da Sagrada Família, a uma empresa petrolífera que se
predispôs a pagar, na ocasião, uma renda de dez anos. Com esse montante,
adquiriu um imóvel no Condomínio Atlântico Sul. Descobriu, assim, que o sector
imobiliário era um ramo de negócios em que valia a pena investir, tendo, para o
feito, recorrido a um financiamento.
Neste
momento tem mais de 40 imóveis adquiridos durante o período do “boom
imobiliário” no país, altura em que contraiu crédito bancário na ordem de 60
milhões de dólares americanos. Além de que prestava serviços de consultoria, o
que lhe possibilitou acumular tais recursos, sem “saquear” o erário para
enriquecimento, conforme declarou em tribunal.
As
suas contas bancárias foram congeladas no mesmo dia em que compareceu na
Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP) para prestar
declarações pela primeira vez, a 20 de Setembro de 2018. Após lhe aplicarem a
medida de coacção em Novembro, ordenaram aos bancos comerciais que cessassem de
movimentar as suas contas bancárias. Entretanto, em função de alguns pedidos, o
DNIAP, órgão afecto à PGR, autorizou a movimentação de 13 milhões de Kwanzs no Banco
Comercial Angolano para pagar os salários dos trabalhadores da empresa privada
Nova Somoil, que não tem qualquer vínculo com o Ministério dos Transportes.
Em seu entender (da defesa), ao proceder desse modo fê-lo de forma desumana, violando os direitos fundamentais tanto dos seus filhos como dos pais de família que trabalham nas suas empresas.Já o DNIAP justificou que tais medidas são necessárias, porquanto os actos que ele praticou lesaram gravemente o património do Estado, em milhões de euros, dólares e kwanzas. Perfazendo no total, 1 bilião, 501 milhões, 173 mil e 202 Kwanzas, 40 milhões, 557 mil e 126 dólares e 13 milhões, 857 mil e 804 euros.

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