IGREJA CATÓLICA QUER JUSTIÇA NA CRISE
A igreja católica angolana apelou ao Governo para tornar mais justas as medidas políticas tomadas para contornar a crise de financeira, que reduziu o poder aquistivo das famílias menos protegidas.
A situação religiosa e política em Angola, esta quarta- feira, foi abordada pelo presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), Filomeno Vieira Dias, no discurso de abertura da II plenária ordinária, que decorre até segunda-feira, em Luanda.
“Continuamos a perceber e a sentir na nossa sociedade as consequências da crise financeira, com a baixa do poder de compra das famílias, e exortamos os quanto têm responsabilidades nesta matéria, a tomarem medidas mais justas para que às pessoas menos protegidas não falte a protecção e o apoio da sociedade”, apelou o arcebispo de Luanda.
Os bispos lamentaram a continuidade das demolições e o “cortejo de famílias que ficaram desamparadas, vivendo ao relento, sendo que outras, há vários meses ou mesmo anos, como no Panguila, vivem partilhando (famílias diferentes) a mesma residência”. Sobre a situação política, Filomeno Vieira Dias lamentou ainda a permanência de sinais de intolerância política um pouco pelo país inteiro, bem como a onda de assaltos violentos e a insegurança reinantes.
O presidente da CEAST fez igualmente referência à “necessidade urgente” de se realizarem eleições autárquicas em Angola, que considerou ser um “factor importante” para o desenvolvimento da sociedade angolana, tendo também saudado o processo de registo eleitoral em curso. Filomeno Vieira Dias manifestou também preocupação com o aumento do número de desempregados, sobretudo entre a juventude.
O arcebispo de Luanda sublinhou que, apesar de a igreja não poder colocar-se no lugar do Estado, na assunção da responsabilidade da organização política da sociedade, não pode ficar alheia à luta pela justiça. “É evidente que são questões sociais. E alguns poderão mesmo questionar a insistência na temática social, mas isto brota da natureza da própria fé cristã, que é inseparável do amor de Deus, do amor ao próximo”, sublinhou.
Durante uma semana, os bispos analisarão a preparativos do I congresso eucarístico, a formação permanente do clero, a assistência religiosa à diáspora angolana, a continuidade do estudo do regulamento e estatutos da CEAST e a revitalização dos tribunais eclesiásticos.
Fonte: OPAÍS
Imagem: Lito Cahongulo
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