Governo de Cabo Verde vai aprovar medidas para combater criminalidade


O primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, anunciou hoje que o Governo vai aprovar brevemente medidas em Conselho de Ministros para "atacar de frente" a problemática da criminalidade e da insegurança urbana no país.

"Brevemente iremos aprovar em Conselho de Ministros uma resolução com medidas para atacar de frente e com resultados esta questão da insegurança e da criminalidade urbana, que tem afetado particularmente a cidade da Praia", declarou o chefe do Governo.
Segundo o relatório anual sobre a situação da justiça em Cabo Verde, entre 01 de agosto de 2015 e 31 de julho de 2016, o país registou 120 homicídios, concluindo-se que a criminalidade aumentou 6,7 por cento relativamente ao ano anterior.
Ulisses Correia e Silva disse que o aumento da criminalidade em Cabo Verde é algo que preocupa o Governo e que considera tem a ver com vários fatores, aos quais não mencionou.
"Estamos aqui a apanhar uma inércia de situações que desembocam a nível de insegurança que todos nós conhecemos", salientou Correia e Silva, que falava aos jornalistas à margem de uma receção ao Gracelino Barbosa, atleta que conquistou a medalha de bronze nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, o primeiro na história do país.
O primeiro-ministro não especificou as medidas, mas adiantou que serão a nível judicial, da ação policial e da inclusão social.
Segundo o mesmo relatório, entregue pelo Procurador-Geral da República na Assembleia Nacional, no mesmo período registaram ainda 95 processos-crime por homicídio na forma tentada.
No ano judicial em causa, foram ainda registados 504 crimes sexuais, mais de 11 mil assaltos, quase três mil novos crimes de violência baseada no género.
A maioria dos crimes acontece na cidade da Praia, o maior centro urbano do país, constituindo uma preocupação constante no país.
Nos números não estão ainda incluídos os vários homicídios registados no último mês no país.
Segundo o diretor da Polícia Nacional, Emanuel Estaline, a criminalidade na capital aumentou 8 por cento no primeiro semestre de 2016, o que levou ao anúncio do reforço em breve desta força policial com 60 novos efetivos.
Sábado, um grupo organiza uma marcha silenciosa pela paz e pala não-violência em Ponta d'Água, um dos bairros mais problemáticos da capital cabo-verdiana e onde se tem registado mais cados de homicídios, roubos e assaltos à mão armada.
Segundo o estudo da Afrosondagem divulgado no ano passado, a criminalidade e a insegurança figuram entre os mais graves problemas sociais que afligem a vida dos cidadãos, sobretudo nos principais centros urbanos do país, razão pela qual os cidadãos colocam-no a par do desemprego, no rol dos principais problemas do país.
No mesmo estudo concluiu-se que a perceção da insegurança é real em Cabo Verde, com uma parte expressiva da população (36%) a afirmar que sente-se insegura ao caminhar no seu próprio bairro e 27% assegura que sentiram medo de crimes dentro da sua própria casa.

Imagem: DR/NM

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