Taxa de alfabetização atinge 81 por cento


O ministro da Educação, Pinda Simão, anunciou, na cidade do Uíge, que a taxa de alfabetização em Angola pode atingir 81 por cento da população maior de 15 anos de idade até ao final do ano.


Ao discursar no acto central do Dia Internacional da Alfabetização, que decorreu no cine Ginásio, na cidade do Uíge, Pinda Simão considerou que o trabalho desenvolvido na alfabetização tem produzido resultados satisfatórios. Com base nos dados do sector catalogados no censo de 2014 e o número de pessoas que estão a ser alfabetizadas desde 2015, o ministro da Educação acredita que Angola pode cumprir com o Plano Nacional de Desenvolvimento da Educação 2015/2025, conjugado com a Agenda 2030, que tem como objectivo erradicar o analfabetismo no país.

O ministro revelou que, entre 2014 e 2015, cerca de 1,47 milhões de cidadãos foram alfabetizados que, adicionados aos resultados do censo de 2014, o país tem agora 10.402.190 cidadãos que já sabem ler e escrever, correspondendo a uma taxa de alfabetização de 76 por cento. De acordo com o ministro da Educação, as estatísticas apontam que 560 mil pessoas estão a ser alfabetizadas em 2016, número que associado à quantidade de pessoas alfabetizadas em 2014 pode atingir, até ao final do ano, a taxa de 81 por cento. Pinda Simão apelou para um maior engajamento de todas as instituições e organismos que trabalham para este subsistema de ensino.

O ministro explicou que a alfabetização foi concebida como um instrumento para a capacitação dos indivíduos, das famílias e das sociedades. De 1966 a 2016, o mundo tem-se empenhado na luta contra o analfabetismo, como uma forma de combate à pobreza e  garantir o direito universal à educação.  

Em Angola, disse, a data foi instituída há 40 anos pelo primeiro Presidente, António Agostinho Neto, na fábrica Textang II, numa clara demonstração da preocupação do Governo de combater o analfabetismo e elevar o nível geral de escolaridade da população. O ministro da Educação reconheceu que, com a convergência e esforços empreendidos entre o Governo, a sociedade civil e o sector privado durante os 40 anos, apesar dos constrangimentos causados pelo conflito armado e de outros de ordem económico-financeira, foi possível reduzir-se a taxa de analfabetismo, estimada em 85 por cento em 1975, para menos de 34, em 2014, conforme o censo realizado naquele ano.

“Como reconhecimento deste esforço, Angola recebeu vários prémios e menções honrosas da UNESCO e outras organizações internacionais, factor que deve encher de orgulho todos os angolanos”, referiu.

Causa de muitos problemas


Pinda Simão avançou que cerca de 20 por cento de homens e 40 por cento de mulheres com mais de 15 anos de idade não sabem ainda ler e escrever, o que constitui a principal causa dos problemas que a ­sociedade angolana enfrenta, como a pobreza e comportamentos deploráveis. O ministro da Educação considera que o futuro de Angola passa pela agenda 2030, que define os objectivos de desenvolvimento sustentável com uma visão de transformar as vidas por meio da educação.

Para o alcance dos objectivos, Pinda Simão disse que o seu sector está comprometido com a criação de uma agenda de educação única e renovada que seja abrangente, ambiciosa, sem exclusão e que seja inclusiva e de qualidade capaz de ser promotora de oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos os cidadãos. Referiu que estão em curso, em todas as comunas, a identificação dos principais focos da população analfabeta para que se direccionem os recursos e, gradualmente, declarar, pela primeira vez, o território livre do analfabetismo.

“Temos como pressuposto os critérios da UNESCO que recomendam índices de analfabetismo inferior a quatro por cento da população com idade maior de 15 anos de idade. O contexto que o país vive, devido à crise financeira, exige uma gestão racional dos recursos disponíveis para o programa de forma a atingirmos os objectivos preconizados”, disse.

O governador do Uíge, Paulo Pombolo, disse que a alfabetização representa a corporização de uma intenção assumida desde a constituição do Estado angolano. É um processo que concorre para um melhor e pleno exercício da cidadania para a populações que por diversos factores não se puderam integrar no sistema normal de ensino, sublinhou. Paulo Pombolo assegurou que o programa de alfabetização está implantado nos 16 municípios da província e conta com 494 técnicos, entre alfabetizadores e facilitadores angolanos e cubanos. Em 2008 estavam inscritos 2.853 candidatos, número que cresceu para 228.162 em 2015.

Aldeias livres


No Uíge, as aldeias Cunga Quichimba, no município do Uíge, Maiengo, no Songo e Quilanda, Banza Luanda e Quiquielo, no Bungo, foram declaradas, pela UNESCO, como territórios livres do analfabetismo tendo em conta os índice registados de pessoas que não sabem ler e escrever. O chefe de secção de alfabetização e ensino de adultos da direcção provincial da Educação no Uíge, Albertino dos Santos, revelou que na aldeia Cunga Quichimba, no município do Uíge, com cerca de 715 habitantes, das quais 400 com idade superior a 15 anos de idade, foram alfabetizadas 263 pessoas, das 270 inscritas. Sete indivíduos ainda pessoas analfabetas, o que representa 2,6 por cento com respeito ao numero de inscritos e um índice de analfabetismo de 1,75%. Em Maiengo, com 267 habitantes foram matriculados 138 participantes. Deste número 135 pessoas foram alfabetizadas restando apenas três pessoas analfabetas o que representa dois por cento com respeito ao número de inscritos e um índice de analfabetismo de 2 por cento. 
No Quilanda, Bungo, com 138 habitantes, dos quais 53 com idade superior a 15 anos de idade, foram alfabetizadas 51 pessoas das 53 inscritas, restando duas pessoas analfabetas naquela comunidade, o que representa 3,7 por centos com respeito ao número de inscritos e um índice de analfabetismo de 3,7 por centos.

“Vamos continuar a trabalhar na mobilização de actores sociais para o envolvimento no processo, de maneira a que se atinjam os objectivos preconizados. Constituem dificuldades, o atraso na liquidação dos subsídios dos alfabetizadores, a insuficiência do material didáctico e a falta de professores para o asseguramento dos módulos dois e três”, disse.

O sucesso do processo nestas localidades foi destacado pelo representante da UNESCO, Nicolau Bubuze, que disse que o índice de analfabetismo no mundo baixou para 25 por cento. Representantes da sociedade civil, alfabetizados e alfabetizadores elogiaram o trabalho desenvolvido e pedem melhores condições de ensino e aprendizagem.

Este ano marca o 50º aniversário desde que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) proclamou o 8 de Setembro como o Dia Internacional da Alfabetização, para mobilizar a comunidade internacional e promover a alfabetização como um instrumento do reforço do poder de indivíduos, comunidades e das sociedades.



Fonte: Jornal de Angola

Sem comentários:

Com tecnologia do Blogger.