Petrolíferas gastam mais de USD 20 biliões por ano em prestações de serviços


Grande parte das empresas prestadoras de serviços têm os seus escritórios no exterior do país. Por isso, não pagam impostos, nem criam emprego para os nacionais
As empresas operadoras do sector petrolífero em Angola gastam anualmente mais de USD 20 biliões em pagamentos de prestação de serviços, segundo revelou esta Segunda-feira, em Luanda, o director executivo da Câmara de Comércio Estado Unidos da América-Angola (USACC), Pedro Godinho. Adiantou que o montante era pago pelos serviços prestados em operações offshore, bem como na compra de serviços e equipamentos, pelas multinacionais que operam em território nacional, mas que não eram residentes cambiais.
“O Governo angolano fez um bom trabalho, recorrendo ao princípio do ‘local country,’ que recomenda às empresas fornecedoras de serviços e equipamentos às multinacionais que se associem às empresas angolanas. Isso funcionou até um determinado tempo”, afirmou Pedro Godinho, sublinhando que, num cenário marcado por falta de divisas, as empresas sediadas em Angola têm dificuldades cambiais e não conseguem honrar os seus compromissos.
Logo, as operadoras vão em busca de outros parceiros no exterior do país para realizar o mesmo trabalho.
“Muitas das empresas que estavam sediadas em Angola encerraram os seus escritórios e regressaram aos seus países de origem, deixando de ser residentes cambiais, assim como deixaram de pagar impostos, mesmo prestando serviços em território nacional”, lamenta, acrescentando ainda que as mesmas não criam empregos para os nacionais.
Segundo o director executivo da Câmara de Comércio Estado Unidos/Angola, é importante que as autoridades angolanas prestem maior atenção a este sector, pois a facturação que estas empresas recebem no exterior ronda os USD 20 mil milhões. “Este valor pode ser comparado com o Orçamento de muitos países africanos”, frisou.
De acordo com aquele responsável, enquanto o preço do petróleo estiver abaixo de USD 60 o país não poderá captar cambiais. Por essa razão, refere Pedro Godinho, “a estratégia do Governo para a “desdólarização” da economia nacional foi excelente enquanto o petróleo esteve acima dos 100 dólares”.
“Para a Câmara de Comércio seria recomendável que as empresas prestadoras de serviços fossem pagas em dólares. Teriam todos os seus pagamentos domiciliados em Angola, teriam a obrigação de pagar os seus impostos e criariam empregos”, reforçou.
A USACC é a mais antiga e a única organização que se dedica exclusivamente a promover as trocas comerciais e investimentos dos Estados Unidos em Angola. A câmara proporciona serviços de orientação de negócios e de eventos para os seus membros, oferendo uma carteira de contactos e conhecimentos sobre Angola aos investidores estrangeiros.


Fonte: OPAÍS

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