Grande oferta de hortícolas reduz importação


O fomento da produção nacional tem ajudado a melhorar a qualidade de vida das populações. Com o reforço dos programas agrícolas, hoje é cada vez mais comum ver em prateleiras de supermercados, cantinas e até nas ruas, diversos produtos do campo, que dão “gosto” ao alimento nas casas dos angolanos.


Bananas, courgette, alface, brócolos, feijão verde, uva, morango, beterraba, nabo, pimento vermelho e amarelo, são alguns produtos agrícolas que os comerciantes importavam.
Hoje a realidade é diferente. Estes produtos já estão a ser produzidos em Angola e em grande escala.

Num mercado paralelo de Luanda, encontrámos uma bancada repleta de variedades de frutas de qualidade. A comerciante sabe apenas que são produtos da Novagrolíder e julga que são importados. O abacaxi, laranja e tangerina, por exemplo, são produzidos em Bom Jesus, na província de Luanda.    

Em 10 anos de existência, o grupo  Novagrolíder conseguiu tornar-se num dos maiores produtores e abastecedores de artigos do campo do país. São mais de 40 espécies, como milho, feijão e cevada, esta última em fase experimental, melão, melancia, morango, uva, manga, papaia, abacaxi, laranja, tangerina, banana, tomate, batata rena, cenoura, abóbora, alface verde e roxa, quiabo, alho francês, gindungo, nabo, beterraba, couve, repolho, brócolos, courgette, pimento verde, amarelo e vermelho, as espécies produzidas nos mais variados campos de cultivos do grupo Líder espalhados pelo país.

A Novagrolíder investiu 220 milhões de dólares, com recursos próprios, e empregou mais de duas mil pessoas em todo o país. Com o aumento da produção, o presidente do grupo, José Macedo, disse que pretende nos próximos tempos investir mais 100 milhões de dólares. “Temos um projecto a iniciar no Cunene com quatro mil hectares para a produção de hortícolas”, disse José Macedo, acrescentando que a área dos cereais conta com 150 hectares e vai aumentar mais três mil para novos projectos.

Em 2009, o grupo tornou-se no maior produtor de hortofrutícolas de Angola. Em 2014, produziu cerca de 106 mil toneladas, enquanto que em 2015 obteve 150 mil toneladas de produtos. Estimativas apontam que, este ano, o grupo pode aumentar a produção na ordem dos 25 por cento.

Bumba Longa

Próximo da estrada nacional 120 está localizada uma das fazendas que faz jus à qualidade e quantidade de produtos produzidos pela Novagrolíder. Trata-se da fazenda Bumba Longa, situada a 17 quilómetros do município da Quibala, província do Cuanza Sul. A produção é efectuada em estufas a céu aberto. 

Em cada temporada de 60 a 90 dias, mais de 10 espécies são colhidas e colocadas à disposição dos consumidores nos mercados formais e informais do país. São mais de mil hectares de produção em várias fases de plantio, crescimento e colheita. O processo garante que não haja rotura de stock de produção do grupo nos mercados do país. “Com isso, permitimos que não haja rotura de produtos. Dada a dimensão do espaço em cultivo, através do mapa de plantação, controlamos as fases e assim fazemos novos plantios”, explicou.

Na Quibala, o cultivo é feito de várias formas. Por exemplo, existem 40 hectares que são cultivados através de pivô central, 100 de rega por aspersão e gota-a-gota e 30 hectares em estufa.

Nos últimos dias, máquinas agrícolas retiraram cenouras do solo. “São cerca de 150 caixas, onde cada uma tem a capacidade de 600 quilos”, disse o técnico agrícola Luís Gustavo. Oito jovens acompanham o processo.

Um deles, Domingos Paulo, apanha o que escapa e coloca em caixas. Noutra área, uma máquina de pulverização desinfesta a plantação de batata rena. “Isto é para tratar as plantas das pragas e doenças”, disse o condutor.
   
Oportunidade de emprego

A agricultura tornou-se numa abertura de milhares de postos de trabalho para jovens no país. Eram poucos os que viam o sector como uma oportunidade de trabalho. Actualmente, o cenário tende a mudar e com novos rumos. 

Na fazenda Bumba Longa, mais de 700 jovens residentes nos bairros do município da Quibala ­ganharam um emprego. Na área de beneficiação, onde os produtos são lavados e embalados depois da colheita, o processo é feito de forma automática. Produtos como cebola, cenoura e batata rena são lavados, classificados e seleccionados, bem como embalados.

Os outros produtos produzidos na fazenda, nomeadamente pepino, tomate, brócolos, feijão verde, alface verde e roxa, repolho e abóbora, são carregados em caixas de madeira e levados para Viana, na província de Luanda, onde são embalados e posteriormente encaminhados para os supermercados.

A trabalhadora Maria José cobre o rosto com o pano ao ver jornalistas. Outras jovens não se importam de falar. 

Luzia André pede ao fotógrafo que o seu retrato seja divulgado para que os familiares em Luanda a possam ver. A jovem de estatura média e extrovertida, enquanto falava, não parava de trabalhar. 

“Vivia em Luanda, trabalhei alguns meses, fiquei desempregada e vim à Quibala para procurar emprego. Consegui aqui, na fazenda, e estou feliz”, conta Luzia, que no próximo ano vai-se matricular para terminar o ensino médio. 

As raparigas cobrem-se com panos a partir do pescoço. Aqui faz frio, diz outra jovem que conseguiu o emprego por intermédio de uma amiga. “Varro o chão e, às vezes, vamos às áreas de plantio para ajudar a colocar as raízes que as máquinas não semeiam”, diz com um certo orgulho.

Na área de plantio das batatas, a interacção entre jovens é maior. Raimundo João é dos poucos que maneja a máquina, com outros jovens do Bairro Kabango. Num ano e meio de trabalho, conseguiu “dar o salto” do campo para as máquinas. “Para tudo na vida é preciso dedicação. Quando somos humildes, aprendemos mais conhecimentos”, explicou o jovem.
 A Novagrolíder é uma das empresas bem-sucedidas no ramo agrícola do país. Este sucesso é conferido pela qualidade dos produtos e preços praticados. A expansão das actividades estende-se às áreas da pecuária, onde mil cabeças de gado estão a ser inseminadas e próximos anos vão assistir a fábrica de lacticínios que tem como objectivo produzir iogurte, leite e queijos. 




Fonte: Jornal de Angola

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