Foi há 15 anos que os Estados Unidos mudaram (e o mundo com eles)


Recordamos um dia que ficará na história do nosso tempo.

Quatro aviões nas mãos de 19 homens levaram a cabo a matança. Nunca é demais lembrar o número: 2.996 pessoas, oriundas de 93 países diferentes, morreram na manhã de 11 de setembro de 2001. A maior parte morreu em Nova Iorque, nos escombros das Torres Gémeas. Mas a história do 11 de Setembro não terminou naquele dia.
Houve um avião que seguia para Washington mas que nunca chegou ao destino, despenhando-se na Pensilvânia. Houve um outro que se despenhou no Pentágono. Os momentos mais marcantes, porém, aconteceram em Nova Iorque, onde dois dos edifícios mais altos do mundo, as Torres Gémeas, foram atacados.
Era de manhã nos EUA, mas aproximava-se a hora de almoço em Portugal, quando a primeira torre foi atingida. Na televisão, jornalistas surgiam tão incrédulos quanto os telespectadores. Seria acidente ou ataque? Os noticiários seguiam em direto quando um segundo avião embateu na segunda torre. Era um ataque e corria à frente dos nossos olhos.
Em menos de duas horas, ambas as torres colapsavam. Perderam-se vidas no embate e nos escombros, lá em baixo, onde tantos polícias e bombeiros perderam a vida soterrados ao tentarem salvar outras. E vimos também imagens de gente que saltava para a morte do alto daqueles arranha-céus, sem esperança, optando apenas por poder escolher como morrer.
Para os EUA, este foi e ainda é o ataque mais brutal em solo norte-americano. George W. Bush era na altura o presidente. Era ele o homem no poder quando o rasto de sangue se prolongou da América até ao Médio Oriente.
O mundo que mudou
Com o ataque a ser levado a cabo por membros da Al-Qaeda, que tinham ligações ao Afeganistão, foi no terreno e com milhares de tropas que os EUA abriram a ‘Guerra ao Terror’. O inimigo, no entanto, não era convencional. Não foi no século XXI que nasceu o terrorismo. Mas foi neste século que o vimos tomar o lugar de ‘inimigo número um’. Um inimigo escondido, disperso, incógnito, muito longe dos históricos conflitos entre nações.
A ameaça do terrorismo levou a alterações substanciais na segurança dos aeroportos, mas abriu também um caminho duvidoso e uma discussão, que ainda hoje se prolonga, sobre até que ponto os direitos individuais se sustentam, perante os receios gerais de uma ameaça global.
Os Estados Unidos ainda estavam no Afeganistão e já nova guerra se abria no Iraque. Com o argumento nunca comprovado das armas de destruição em massa, foi em Portugal, nas Lajes, em pleno Atlântico, que Durão Barroso recebeu George W. Bush (EUA), Tony Blair (Reino Unido) e José Maria Aznar (Espanha). Foi cá que foi dado o ‘ok’ à invasão e a mais violência.
Os EUA tinham vivido o seu mais violento episódio de terrorismo em 2001. Mas as capitais dos outros dois países que se fizeram representar em Portugal na Cimeira das Lajes viriam ainda a viver violentos dias. A 11 de março de 2004, em Madrid, explosões de bombas coordenadas nos caminhos-de-ferro mataram 192 pessoas. A 7 de julho do ano seguinte foi a vez de Londres, na linha de comboio e na de metro, sentir a brutalidade do terrorismo islâmico: 52 pessoas morreram.
Sondagens de 2003 mostram que, embora nenhuma ligação concreta tenha sido encontrada entre o regime do ditador Saddam Hussein e os ataques de 11 de Setembro, a maioria dos norte-americanos (cerca de 70%) acreditava na altura que os ataques tinham tido o ‘dedo’ de Saddam.
Saddam foi derrubado, andou escondido até ser detido e acabou enforcado a 30 de dezembro de 2006. Já Osama bin Laden, o fundador da Al-Qaeda e para muitos o grande ‘arquiteto’ dos ataques do 11 de Setembro, acabaria morto numa operação de forças especiais norte-americanas, em maio de 2011. Curiosamente, o mesmo ano em que tinha início um conflito interno na Síria, que iria marcar em absoluto não só o Médio Oriente mas a própria ideia de terrorismo e extremismo islâmico. Um que ainda se prolonga nos nossos dias.
O mundo que ficou
Foi entre os escombros de um Iraque desfeito e numa Síria dividida entre várias fações que vivemos a ascensão do autoproclamado Estado Islâmico.
Alguns dos membros originais foram presos pelos EUA no Iraque. Abu Bakr al-Baghadi, o homem visto como líder do Daesh, foi preso em 2004. Esteve detido em Bucca, onde terá tido as primeiras conversas com outros detidos sobre o que o futuro reservaria.
O ISIS ou Daesh, como também é conhecido, é hoje presença mediática a Ocidente, que viveu também ataques em França e na Bélgica, em anos mais recentes. E em meses também. Depois da sua rápida ascensão, o grupo extremista vive agora a sua queda. Mas a promessa é de que esta é uma queda que continuará a fazer vítimas.
Entre bombardeamentos da coligação liderada pelos EUA, bombardeamentos russos, combates no terreno contra grupos rebeldes, curdos e exército sírio e iraquiano, o Daesh vai perdendo espaço. Não por acaso, a opção tem sido o incentivo a ataques terroristas, muitas vezes perpetrados por ‘lobos solitários’.
Passaram 15 anos desde o ataque de 11 de Setembro. Hoje em dia é consensual que o caos social, económico e político em que a o Iraque a Síria se tornaram foram ‘porta aberta’ para a ascensão do Daesh. No entretanto, centenas de milhares de pessoas perderam a vida no conflito na Síria. Juntam-se a muitas outras vítimas não só da guerra mas de atentados no Iraque e no Afeganistão.
O extremismo islâmico ainda existe e a ‘Guerra ao Terror’ de Bush é expressão que, da teoria à prática, trouxe mais incerteza. Passaram 15 anos desde o 11 de Setembro. O dia é já tema em aulas de história, incluindo em Portugal. Foi há 15 anos que tanto (tudo?) começou a mudar.

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