Criadores apostados em baixar défice de carne
Angola consome 150 mil toneladas de carne por ano. O país produz neste momento cerca de 10 mil. O grosso vem da região Sul, cujos criadores estão empenhados em reduzir o défice actual.
Isabel Tchombe dirige um touro de raça simbra, pertença da fazenda em que trabalha há cinco anos. A mão esquerda segura a corda, enquanto a direita abraça o cupim, a parte carnuda mais saliente no topo do pescoço do animal.
Os dois parecem amigos de longa data. À medida que caminham para o pavilhão da fazenda Vime na exposição da XIII Feira Agro-pecuária da Huíla, os presentes admiram a grandeza do touro e também a coragem e a destreza da mulher.
A pastora mostra o caminho e o animal obedece às orientações até à montra, onde o boi é amarrado a uma estaca de ferro. Mais pastores trazem outros 30 animais de raça que o fazendeiro Mauro Alves apresenta na maior bolsa agro-pecuária, promovida todos os anos pela Cooperativa de Criadores de Gado do Sul de Angola (CCGSA).
O fazendeiro Mauro Alves, que expõe há dez anos na Feira do Gado, explica que a cumplicidade entre criadores e animais e o tratamento dado a estes tem influência no seu desenvolvimento saudável e qualidade. O mais novo dos expositores, com 37 anos, fala com vaidade da qualidade das criações, desenvolvidas em campos rotativos de 35 hectares para cada grupo de 64 animais.
O filho do fazendeiro, Caires Alves, compra novilhos, procede à engorda e leva-os a leilão ou para o abate. Mauro Alves apresentou na exposição agro-pecuária animais com o mesmo porte físico, saudáveis e com um brilho que mereceu elogios dos visitantes e criadores de outras regiões.
“Para os jovens que gostam desta actividade, sobretudo, nesta fase em que se apela para a diversificação da economia, tenho a dizer que o segredo é trabalho e gosto pelo que se faz. O segredo no sucesso dos animais está nas vacinas e desparasitação constante”, diz.
O criador dispõe de cerca de 600 cabeças de gado bovino, na sua maioria da raça simbra. Mauro Alves perspectiva ter cerca de sete mil dentro de 10 anos. “Esta meta não é impossível com trabalho árduo e força de vontade”, afirmou o fazendeiro, que emprega dezenas de pessoas.
Fonte: Jornal de Angola

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