APREENDIDAS TRÊS TONELADAS DE MEDICAMENTOS FALSOS


Parte dos medicamentos foi desviada do Sistema Nacional de Saúde (SNS), foi destinada ao mercado informal, com destaque para o dos Kwanzas. Os anti-palúdicos lideram a lista de medicamentos falsificados, secundados pelos antibióticos e afrodisíacos.
Inspecção Geral da Saúde apreendeu mais de três toneladas de medicamentos na rota da contrafação, nas 18 províncias do nosso país, de Janeiro a Agosto de 2016. A revelação foi feita a OPAÍS pela inspectora farmacêutica da Inspecção Geral da Saúde, Maria Júlia Simão, que apontou o mercado dos Kwanzas como o epicentro de toda cadeia de venda e distribuição de medicamentos falsificados ou desviados. Em 2015, cerca de 114 mil quilogramas foram apreendidos, contra os anteriores 86 mil quilogramas de 2014.
A fonte deste jornal revelou que parte destes produtos, particularmente o Coartem, foi desviada do Sistema Nacional de Saúde (SNS) para o mercado informal. Nesta senda, Maria Júlia Simão assegurou que já foram apreendidos 31. 350 quilogramas de medicamentos diversos na operação denominada “giboia”, cujas vistorias são desencadeadas de forma conjunta com peritos da região da SADC.
As regiões fronteiriças foram apontadas como outros pontos em que se regista a mais expressiva entrada de fármacos contrafeitos ou ilegais. A zona do Luvu, local de passagem na extensa fronteira entre Angola e a República Democrática do Congo, é uma das mais usadas para a entrada de fármacos contrafeitos.
A inspectora do Ministério da Saúde revelou a este jornal que os anti-palúdicos lideram a lista de medicamentos falsificados, secundados pelos antibióticos e as substâncias afrodisíacas. Entretanto, os medicamentos para as diabetes e a hipertensão também já entraram na lista de produtos mais falsificados, de acordo com a nossa fonte, que realçou ser fruto da procura que se verifica para a sua aquisição. Os envolvidos nesta prática são maioritariamente cidadãos da RDC que desenvolvem a sua acção em conluio com os nacionais.
Nas farmácias também há medicamentos não recomendáveis
No entanto, a fonte sustentou que a contrafação envolve também a adulteração de testes de paludismo, preservativos e demais material gastável. A interlocutora alertou as pessoas para prestarem atenção ao tipo de medicamentos que adquirem, realçando que os produtos contrafeitos podem ser encontrados também nas farmácias legalizadas. Anualmente, a Inspeção Geral da Saúde e a Polícia Económica realizam conjuntamente diversas detenções em operações como “Kwanzas” e “Giboia”, esta última realizada conjuntamente com peritos da região da SADC. Os medicamentos apreendidos são entregues a uma empresa que que os destrói.
A próxima operação está prevista para a época da quadra festiva e vai abranger todo o território nacional. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), um medicamento falsificado é aquele que de forma deliberada ou fraudulenta é adulterado em relação à sua identidade e/ou origem”.
Vendedores dos Kwanzas adoptam novos métodos
OPAÍS visitou o mercado dos Kwanzas, em Luanda, tido como o centro de abastecimento de medicamentos falsos no país. Não citar os nomes dos vendedores foi a condição exigida para aceitarem falar para nós, tendo os nossos interlocutores assegurado que um número considerável de proprietários de farmácias de Luanda tem o local como a fonte de abastecimento.
Qualquer cliente é suspeito como sendo um elemento afecto aos serviços de Inspecção ou à Polícia Económica, por isso, todos os vendedores adoptaram novos métodos de comercialização e entrega de medicamentos para despistar as autoridades. O cliente não tem acesso ao local de armazenamento, podendo receber os produtos na sua residência ou noutro lugar à sua escolha, dependendo da negociação feita. Um dos comerciantes revelou que boa parte do antipalúdico Coartem aí vendido provém dos hospitais públicos da província de Luanda.

Fonte: Opaís
Imagem: Reprodução

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