Jovem noiva que morreu no dia do seu casamento



Estão lá há 66 anos, arquivadas em ordem cronológica numa pasta descorada pelo tempo. Nas nove calorosas cartas que escreveu à filha morta, Aureliano Mendonça exprimiu sua paternal maneira de sofrer a dor de enterrar um filho. A pasta tem o timbre da Superintendência de Política Agrária – Delegacia Estadual de São Paulo. Abaixo do timbre, escrito à mão em letras maiúsculas, cheias de sentimento, ‘Cartas para o Céu’.
A história é lindamente triste. Odila Bovolenta Mendonça, professora primária de 22 anos, estava às vésperas do casamento. Animada como todas as noivas. Bonita, dócil, amada por todos.
Ela se casaria com o comerciante Ramiro Cesário em dezembro. Enxoval prontinho, algumas peças feitas por ela própria (porque as moças daquele tempo eram muito prendadas), o vestido de noiva no cabide, a alegria na casa reavivada pelo riso dela e pelos acordes do piano da mãe.
E eis que uma dor de garganta que sentiu de manhã virou septicemia, apesar de medicada, e dois dias depois, em 15 de julho de 1949, Odila morreu. Foi enterrada vestida de noiva, no jazigo da família, no Cemitério da Ressurreição.



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